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Resorts tomam e ameaçam litoral brasileiro
Recentemente foi debatida na I Conferência Municipal do Meio Ambiente em Aracajú (SE), a construção de um mega resort do grupo CVC na margem esquerda da foz do rio Vaza-Barris, na região conhecida como ‘ponta do Mosqueiro’.
O litoral brasileiro é conhecido mundialmente por seu povo hospitaleiro, suas mulheres bonitas e suas praias paradisíacas. Diante dessas qualidades, é cada vez maior o número de milionários e artistas, brasileiros e estrangeiros, que procuram investir seu dinheiro em empreendimentos ao longo do litoral do país e dentro das matas preservadas.
Recentemente foi debatida na I Conferência Municipal do Meio Ambiente em Aracajú (SE), a construção de um mega resort do grupo CVC na margem esquerda da foz do rio Vaza-Barris, na região conhecida como ‘ponta do Mosqueiro’. Batizado de Amarazul Eco-Resort, o empreendimento pretende ocupar 362 mil m², cravando numa localidade de grande beleza natural 45 mil m² de área construída. São 359 unidades hoteleiras, entre apartamentos e bangalôs. Sua construção confrontava um artigo de proteção ambiental, que foi derrubado por parlamentares do município no final do ano passado.
Essa ‘febre’ de resorts provocou discussão até mesmo no estado do Rio Grande do Norte. O alvo é o Grand Natal Golf, que será instalado em Natal (RN). O mega-complexo prevê a construção de 14 hotéis, condomínio unifamiliar e multifamiliar, perfazendo 41.595 unidades habitacionais, cinco campos de golf, setor de equipamentos - onde serão instalados lojas, restaurantes e comércio -, havendo projeção populacional de 166.813 mil pessoas, entre moradores, visitantes e funcionários.
De acordo com dados do próprio empreendedor, o município que abrigará pelo menos 60% do empreendimento, Extremoz, só possui coleta de lixo de 31,4% de sua população e esses resíduos não são destinados a nenhum aterro sanitário, e sim para o indesejado “lixão”. “Em um município que não providencia a coleta adequada de lixo para 20 mil habitantes, custa acreditar que será dado tratamento adequado aos resíduos produzidos por um acréscimo de mais 166.000 mil pessoas”, diz a decisão do Ministério Público.
O órgão recomendou a nulidade da Licença Ambiental Prévia e quaisquer outras licenças de instalação ou operação dela decorrentes, concedidas à SPEL – Sociedade Potiguar de Empreendimento S/C Ltda e que somente se conceda novo licenciamento “mediante a realização dos estudos necessários a esclarecerem as questões técnicas levantadas, bem como a apresentação de um plano para a preservação ambiental”.
| EFEITO BECKHAM Até mesmo o jogador de futebol David Beckham parece aderir essa “febre”.Recentemente, em visita ao Brasil no mês passado, ele anunciou a construção de seu resort, que levará seu nome, na cidade de Cabo de São Roque (RN). O meio-campista ainda terá dois sócios importantes: a duquesa de York, Sarah Ferguson e o empresário norueguês Torben Frantzen. Em entrevista ao jornal Daily Mail, o membro do consulado britânico no estado, David Hasset declarou que “O resort será construído em uma região da Floresta Atlântica, em uma área de dunas, praias, cultivo de camarões, rios e florestas. É considerado um dos lugares com maior biodiversidade do mundo, com milhares de espécies raras de flora e fauna. Seria um crime enterrar tudo isso com concreto, campos de futebol e cursos de golfe”. Estamos presenciando uma verdadeira ocupação do litoral brasileiro, onde um processo de privatização das praias ocorre gradativamente. Se já soa injusto que futuramente somente os “providos financeiramente” terão acesso às praias – mais bonitas e limpas, assim por dizer – será ainda mais torpe socialmente que pescadores, marisqueiras e outras comunidades que vivem dos recursos marítimos sejam privadas de seu ganha-pão. CS – Imprensa |








