Ação Sustentável

Glaico Sell comenta experiência adquirida na BIOFACH 2008

Em entrevista ao Consultor Social, o secretário revelou qual a principal demanda de produtos orgânicos pelos europeus e a valiosa troca de experiência ocorrida durante a BIOFACH 2008.

A BIOFACH é a maior feira de negócios de produtos orgânicos do mundo e cresce a cada ano, possibilitando aos agricultores familiares, mostrarem suas produções inovadoras de alimentos orgânicos.

O evento aconteceu nos dias 21 a 24 de fevereiro em Nuremberg, na Alemanha, e teve a participação do Ministério de Desenvolvimento Agrário Brasileiro, o que possibilitou a participação de outras onze agroindústrias familiares do país, entre elas a APIVALE (Associação de Apicultores do Vale do Rio D’Una) que reúne 13 municípios da Serra do Tabuleiro.  

A feira deste ano trouxe aos mais de 45 mil visitantes vindos de 110 países, mais de 2.600 expositores, que mostraram produtos como o mel, castanhas-de-caju, café, soja em grão, frutas in natura, polpas de frutas, açúcar mascavo, rapadura, cachaça, algodão, melado, óleo de coco de babaçu e doces e geléias de umbu, maracujá e banana, entre outros. Somente no ano de 2007, a feira rendeu US$ 5 bilhões em negócios.

Através do MDA, o Brasil levou à feira seis estados com produtos variados. O principal objetivo dos agricultores familiares que participam da feira é a troca de experiência com agricultores de outros países. Santa Catarina também teve seu representante. A APIVALE fez sua estréia no evento e levou suas idéias e inovações na produção de mel através do secretário de agricultura de Paulo Lopes e presidente da FAASC (Federação das Associações de Apicultores de Santa Catarina), Glaico Sell.

Em entrevista ao Consultor Social, o secretário revelou qual a principal demanda de produtos orgânicos pelos europeus e a valiosa troca de experiência ocorrida durante a BIOFACH 2008.  

MEL

O mel é um mercado extenso e variado na sua produção. A APIVALE, por sua vez, agrega agricultores em seus projetos de manejo sustentável da apicultura na região de Paulo Lopes, Garopaba,  Imbituba e Imaruí. Glaico Sell, secretário geral da instituição, destacou a importância de uma produção diferenciada do mel, pela APIVALE.  Ele afirma que os europeus não procuram simplesmente mel produzido por outros países, pois o mel produzido aqui possui as mesmas características do mel de lá.

A inovação na produção de mel deve ser prioritária. Existe uma grande demanda por méis de floradas nativas (árvores como o butiá, marcela, laranjeira e silvestre). Os méis produzidos por essas árvores nativas ganham o diferencial procurado pela instituição e, ao mesmo tempo, agregam valor a projetos de natureza socioambiental, como o Viveiros Nativos desenvolvido pela APIVALE.

Para nós, o mel pode parecer o mesmo, pois é oriundo de nativas, mas para eles (Europa) o mel é diferenciado e de origem exótica. A variedade de sabores é acrescida ainda mais pela extensa biodiversidade de que dispomos. Glaico ainda afirma que essa nossa extensa biodiversidade de plantas melíferas nativas valoriza nossos méis, trazendo uma agregação de valor aos mesmos.

Esse diferencial é de suma importância, já que os europeus dão preferência para a compra do mel de associações e cooperativas de pequeno e médio porte. 

  • Mercado e Volumes de Mel


O mercado de mel é significativamente alto e concorrente, porém não existem restrições mínimas de volumes de compra de méis orgânicos. Glaico ainda revelou que o nosso mel possui uma grande demanda de países como a Turquia e a Malásia.

Geralmente o volume requerido pelos países chega a partir de um contêiner, que comporta aproximadamente 20 toneladas. Mas a Turquia tem uma alta demanda para o nosso mel, que tem colocação periódica para volumes da ordem de 700 a 800 toneladas. Já a Malásia procura por méis envasados em embalagens pequenas de 230g a 280g, com rotulagem personalizada para os compradores. 

PEIXE

A maior demanda entre os peixes de água doce (criados especificamente para a exportação) está para a Tilápia filetada – feita em filés. A região de atuação da APIVALE, em direção ao Sul do Estado, possui grandes extensões de lâmina d’água salobra, o que possibilita uma maior facilidade na criação e, consequentemente, na exportação do produto.

De acordo com Glaico, os agricultores estão investindo em uma nova forma de criação de peixes. Uma forma sustentável e mais barata. Eles criam peixes de alta demanda, como a própria Tilápia e o Jundiá, com proteínas verdes, como algas, por exemplo. Esse novo cultivo beneficia os agricultores de forma sustentável e recebe uma forte demanda por serem peixes produzidos de forma orgânica.  

CEBOLA

O mercado internacional também está muito receptivo a volumes da nossa cebola orgânica in-natura. Porém, Glaico afirma que os volumes e as formas de exportação ainda carecem de maiores definições. 

FRUTAS

As frutas também possuem espaço, mas em especial as de produção certificadamente orgânicas.
A banana, por exemplo, não tem espaço, pois já é um produto monopolizado pela América Central, em especial a República Dominicana. Mas há muito espaço para o nosso abacaxi e para frutas desidratadas e/ou liofilizadas 

CARNES

Segundo Glaico, a maior demanda pelo mercado europeu, em termos de carne bovina, é a partir do “boi verde” (bois criados somente no pasto, sem ração ou quaisquer outros melhoramentos ou suplementos alimentares).

Da mesma forma em que a carne bovina tem preferência orgânica no mercado internacional, o frango caipira também possui o seu espaço e se destaca na demanda internacional. “Precisamos definir formas de produção, distribuição e melhor eficiência na certificação”, finaliza Glaico Sell.  

CS - imprensa

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